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Ibovespa sente impacto de decisão do Copom, mas bancos ajudam

18/03/2021 às 10h36

Ibovespa sente impacto de decisão do Copom, mas bancos ajudam


Além do aumento do juro brasileiro, investidores avaliam indicação do BC americano, de manter o juro baixa até ao menos 2023
 

Por Olívia Bulla | Para o Valor de São Paulo

Depois de passar praticamente toda a manhã em queda, reagindo à surpreendente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa básica de juros acima do consenso de mercado, em 0,75 ponto percentual (pp), o Ibovespa chegou a testar o campo positivo, beneficiado pelos ganhos acelerados das ações de bancos e seguradoras. Ainda assim, a perspectiva de Selic mais alta até o fim do ano pesa na renda variável, sem forças para esticar a euforia da véspera, quando reagiu em forte alta ao Federal Reserve.

Às 13h45, o Ibovespa tinha leve queda de 0,08%, aos 116.456 pontos, após atingir mínima de 115.496 pontos e, na máxima, 116.751 pontos. O desempenho das ações dos bancos, que têm forte peso no Ibovespa, segura o índice. No horário acima, Bradesco PN tinha alta de 2,27%; Itaú Unibanco PN subia 1,71%, Santander Unit avançava 3,04% e BB ON crescia 0,91%.

“O setor financeiro está segurando a bolsa aqui e lá fora”, afirma o chefe da mesa de renda variável de uma corretora nacional. “[O movimento] vai na ideia de juros subindo”, emenda, referindo-se tanto ao aumento da Selic ontem quanto ao avanço do juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) para além de 1,70%, após o Fed sinalizar que vai manter os estímulos ao menos até 2023.

As ações de seguradoras também são destaque de alta, refletindo a surpresa com a decisão do Copom, uma vez que o setor é beneficiado por juros mais altos no Brasil. IRB ON subia 3,73%; SulAmérica Unit tinha +3,52% e BB Seguridade ON disparava 4,19%. Na outra ponta, figuravam as ações de setores com risco de sofrer impactos negativos diante de um cenário de Selic mais elevada. Entre os destaques, estão a construção civil, o varejo e a locação de veículos, em meio à perspectiva de crédito mais caro e mais escasso: Cyrela ON caía 2,09%; Ezetec ON perdia 1,41%; Magazine Luiza ON recuava 2,30%; B2W ON tinha queda de 3,16%; Localiza ON declinava 1,92%.

Para o sócio-gestor da TAG Investimentos, Dan Kawa, a situação para os ativos brasileiros ficou mais complexa, em meio à combinação da postura ultra dovish do Fed com o tom mais duro (hawkish) do Copom. “Os ativos brasileiros estavam excessivamente ‘descontados’ devido a ruídos [políticos]. Parte dessas questões foram endereçadas nos últimos dias, mas estamos longe de resolver todos os problemas do país”, avalia.

Por isso, a bolsa brasileira tem dificuldades em sustentar a valorização da véspera, apesar de os ativos brasileiros terem ficado mais atrativos, aos olhos dos investidores estrangeiros, com a primeira alta da Selic em seis anos e a perspectivas de novas elevações em breve tornando o “carry trade” também mais atrativo. “O mercado passou a ver 6% como piso [da Selic] e isso também é demais”, explica um operador sênior de uma corretora nacional.

Da mesma forma, ele observa que, por mais que a decisão do Copom melhore o ambiente dos ativos financeiros brasileiros, o cenário doméstico ainda está repleto de risco. “A situação do país está horrível. O BC mostrou preocupação com a inflação e o fiscal, que continua nebuloso. Quem vai comprar bolsa?”, indaga. Para ele, o capital externo pode acabar sendo instigado para o diferencial de taxas de juros praticado no Brasil e no exterior.

“O Brasil não está preparado para receber esse fluxo mais especulativo, temos de dar as condições”, observa o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira. Para ele, as incertezas políticas continuam pesando, o que impede um achatamento da curva longa de juros futuros local e uma apreciação mais acelerada do real em relação ao dólar. Esse mal-estar na política ainda mantém a demanda por prêmio de risco”, conclui.

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