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Ibovespa perde nova chance de recuperação com queda de bancos

02/03/2021 às 05h00

Ibovespa perde nova chance de recuperação com queda de bancos

Apesar de alta em Wall Street, ativos locais sofrem com ruídos e incerteza na política

Por Lucas Hirata, Felipe Saturnino e Marcelo Osakabe | Para o Valor de São Paulo

Os mercados brasileiros perderam mais uma oportunidade clara de recuperação e voltaram a ficar para trás dos pares globais devido a incertezas no campo político. Apesar do salto das ações em Wall Street, o Ibovespa desacelerou os ganhos na reta final do pregão, com dura queda das ações de bancos, após notícia de que o governo teria decidido aumentar imposto no setor para compensar isenções no diesel e gás de cozinha.

O principal índice da bolsa brasileira chegou a subir 2,2% na máxima do dia, mas encerrou o pregão com alta de apenas 0,27%, aos 110.335 pontos, enquanto as ações de Itaú e Bradesco caíram mais de 3%. O que torna esse desempenho ainda mais frustrante é o fato de que as bolsas americanas subiram entre 2% e 3% ontem.

Já o dólar comercial encerrou o dia em queda marginal de 0,07%, aos R$ 5,60, e os juros futuros de longo prazo fecharam perto das máximas. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 7,84% para 8,07%.

 



O que detonou o desânimo no mercado foi a notícia do jornal “O Globo” de que o governo teria decidido aumentar o imposto cobrado sobre os bancos, limitar a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de carros para pessoas com deficiência e acabar com renúncias tributárias para o setor petroquímico com o objetivo de zerar o PIS/Cofins sobre o diesel. Com isso, também compensaria a redução de imposto federal sobre o gás de cozinha (GLP).

“A pior parte, na minha opinião, é a leitura de que não será fácil negociar as contrapartidas orçamentárias que poderiam ser utilizadas para essas medidas e, possivelmente, também não será fácil para o auxílio emergencial”, diz Tiago Sampaio Cunha, gestor da Grou Capital. Logo, o discurso do Planalto de não aumentar impostos é colocado em dúvida. “O risco é a simples redistribuição da carga tributária do país, aliviando um setor, o de caminhoneiros, e onerando os tomadores de crédito.”

Para o profissional, os bancos podem repassar integralmente o custo para o tomador, preservando boa parte do seu resultado. No entanto, o crédito ficará mais caro para quem precisa e a demanda cairá por conta disso, no momento em que a recuperação econômica perde fôlego, acrescenta.

Esse tipo de ruído têm um custo significativo para os ativos brasileiros, que não conseguem acompanhar o desempenho dos pares no exterior e sofrem com muito mais volatilidade. O principal ETF do Brasil em Nova York, o iShares MSCI Brazil (EWZ), acumula queda de 14% no ano e seu indicador de volatilidade tem alta de 25%. Já o ativo semelhante para mercados emergentes sobe 7%, assim como o índice de volatilidade avança 7%.

A desconfiança sobre o rumo da agenda econômica do governo tem, entre os seus pontos focais, a política de preços da Petrobras e a preocupação sobre interferência do governo, após o Planalto decidir trocar o CEO da companhia.

Ontem, as ações da Petrobras chegaram a operar em alta durante boa parte da sessão, ajudadas pela valorização do petróleo no exterior e também por um novo aumento do preço da gasolina e do diesel, que deve começar a partir de amanhã nas refinarias. No entanto, mudaram de direção e caíram durante a tarde com a virada do petróleo e a notícia do setor bancário. A ação ON caiu 0,63% e PN cedeu 1,08%.

“A notícia do reajuste ajuda o mercado, mas os movimentos ainda são muito voláteis. Não há confiança de que vai ser alta sustentável”, diz Luís Sales, estrategista-chefe da Guide. Ele afirma que o cenário ainda está envolto de incertezas. “A gente começa a ver alguma acomodação nesse patamar de preços de Petrobras, mas ainda não dá para cravar nada.”

Além das preocupações sobre interferências em empresas estatais - que rondam Banco do Brasil e Petrobras -, os agentes do mercado acompanham de perto a discussão sobre a PEC Emergencial, proposta que deve viabilizar nova rodada do auxílio emergencial por mais quatro meses. O risco é o texto ser ainda mais desidratado se a votação for fatiada, apesar da resistência do ministro da Economia, Paulo Guedes.

O quadro fica ainda mais complicado uma vez que as pressões sobre as expectativas de inflação têm aumentado, o que pode forçar o Banco Central a elevar juros de forma mais intensa mesmo com a atividade fraca. De acordo com os preços na curva de juros, os investidores veem probabilidade de 77% de um avanço de 0,75 ponto no juro básico em março. “Não gostaria de estar na cadeira do Roberto Campos Neto agora”, diz Dan Kawa, diretor de investimentos da TAG.

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