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O que muda nas aplicações de renda fixa com o novo corte da Selic

11/12/2019 às 18h26

 

O que muda nas aplicações de renda fixa com o novo corte da Selic

 

Com juros mais baixos, caderneta de poupança e aplicações indexadas ao CDI passam a render menos

 

Por Mariana d’Avila | InfoMoney

SÃO PAULO – Conforme esperado pelo mercado, o Banco Central decidiu hoje cortar a taxa Selic novamente em meio ponto percentual, de 5,0% para 4,5% – o menor nível histórico. Com isso, é esperado que o ciclo de reduções tenha chegado ao fim, ou esteja bem perto dele.

 

Segundo levantamento feito pela XP, a expectativa de gestores de fundos macro é de que haja um corte adicional da taxa básica de juros em 2020, de 0,25 ponto percentual, levando os juros para o patamar de 4,25% até o fim do ano. Sendo assim, o investidor, que já estava com dificuldade para encontrar bons prêmios na renda fixa, passa a ver retornos ainda mais comprimidos nas aplicações conservadoras.

 

Produtos com retornos pós-fixados, indexados ao CDI, estão rendendo cada vez menos, assim como a rentabilidade da caderneta de poupança, que é atrelada à Selic, também está menor.

 

Nos últimos 12 meses até novembro, a caderneta rendeu 4,7%. Agora, com a Selic em 4,5% ao ano, o retorno da poupança passa a ser de 3,15% ao ano e segue perdendo para outras aplicações.

 

Um produto de renda fixa com retorno equivalente a 100% do CDI rende perto de 5,6% neste ano. Descontada a maior alíquota de Imposto de Renda, de 22,5%, a rentabilidade cai para 4,3%, ainda bem superior à da caderneta.

 

Tão importante quanto a comparação de rentabilidade, o investidor precisa se atentar ao impacto da variação da inflação sobre o retorno final. Para 2020, é esperada uma inflação da ordem de 3,60%, o que, no cenário atual, levaria à perda de dinheiro na caderneta.

 

Confira a seguir como R$ 10 mil renderiam no próximo ano, considerando três cenários para a Selic: com taxa em 4,5%, em 4,25% e em 4% ao ano ao longo dos próximos 12 meses.

 

Nesses exemplos, os recursos seriam investidos na caderneta de poupança ou em aplicações que rendessem 100% e 120% do CDI, como CDBs, LCIs e LCAs. Os valores já são líquidos de Imposto de Renda, considerando uma alíquota de 17,5%.

 

 

Os juros baixos vieram para ficar e, com rentabilidades cada vez mais parcas nas aplicações de renda fixa, como investir para ter melhores retornos? Na opinião de assessores de investimento e alocadores de patrimônio consultados pelo InfoMoney, uma nova adequação da carteira deverá incluir não só ativos de risco, como vencimentos mais alongados.

 

“O investidor brasileiro vai ter que aprender que o tripé de antes, de juros altos, liquidez e segurança, acabou. Era muito bom estar com 1% ao mês garantido, sem ter que se preocupar”, diz Flavio Byron, sócio do escritório Guelt Investimentos.

 

Nos títulos públicos, a preferência de especialistas dos escritórios Guelt e Monte Bravo Investimentos e da gestora de patrimônio TAG Investimentos recai sobre papéis indexados à inflação de médio e longo prazo, como o Tesouro IPCA+ 2035 e Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2050, que ainda oferecem retornos interessantes e proteção contra a inflação, ressaltam.

 

Nesta quarta-feira (11), os títulos pagavam, respectivamente, o IPCA mais 3,28% e 3,41% ao ano.

 

Dan Kawa, sócio da gestora de patrimônio TAG Investimentos, diz gostar das NTN-Bs mais longas, mas não recomenda posições muito grandes, dado que grande parte do fechamento das curvas já aconteceu. No ano, o Tesouro IPCA+2035 acumula ganhos de 37%, enquanto o Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2050 tem valorização de 32%.

 

Com relação aos papéis prefixados, Kawa afirma que a relação entre risco e retorno não está atraente para nenhum cenário. Na renda fixa privada, a preferência da gestora é por ativos de crédito “high yield”.

 

“É um mercado nascente no Brasil, com um boom de emissões. Tem muita coisa ruim, que não é de longo prazo, mas muita coisa boa que paga mais, porque o mercado ainda não entende ou porque não tem uma agência de rating com classificação”, justifica o gestor da TAG, em referência a novas emissões que paguem o CDI mais uma taxa de 3,75%, como da empresa de locação de veículos Maestro.

 

Renda variável segue em alta

 

O que deve trazer maiores ganhos para os investidores nos próximos meses, contudo, são as aplicações em renda variável, como ações e fundos imobiliários.

 

“Hoje, o cliente não tem mais como ganhar acima da inflação ficando só em CDI. Ele vai ter que buscar ativos com exposição real [acima da inflação] e sair do defensivo, aceitando produtos com maior volatilidade”, diz Rodrigo Franchini, da Monte Bravo.

 

No escritório Taiga Investimentos, por exemplo, clientes têm optado pela venda de papéis do Tesouro, de forma a aproveitar a forte valorização dos títulos, que pode estar perto do fim, embolsar os ganhos e migrar para ativos de renda variável.

 

Esse maior apetite ao risco pode ser visto, inclusive, na busca maior por fundos de ações, que têm se destacado na categoria. “Os multimercados ganharam muito dinheiro neste ano com juros no Brasil e agora, com pouca expectativa de retorno na renda fixa, os fundos não vão mais ganhar ali”, avalia Ricardo Maia, sócio da Taiga, afirmando que seus clientes têm preferido fundos de ações aos de estratégia macro.

 

No mercado de fundos imobiliários, novas emissões devem contribuir para uma maior diversificação dos segmentos dentro da classe, diz Maia. Com juros baixos e uma retomada, mesmo que gradual, da economia, a visão dos gestores é de que os FIIs tendem a continuar a se beneficiar. Em 2019 até novembro, o Ifix, índice mede o desempenho dos principais fundos imobiliários brasileiros, teve valorização de 23%.

 

“O mercado imobiliário no Rio de Janeiro está parado. Tirando São Paulo, o resto do país está parado, então assim que a economia melhorar, vai ter muita oferta”, avalia Byron, da Guelt.

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