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A gestão de patrimônio e a seleção de gestores de crédito

21/05/2019 às 05h00

 

A gestão de patrimônio e a seleção de gestores de crédito

 

Por Dan Kawa | Para o Valor, de São Paulo

 

Os fundos de crédito privado apresentaram crescimento exponencial nos últimos anos. A classe apresentou captação expressiva e ganhou uma importância maior no portfólio dos clientes.

 

É interessante notar que esses fundos tiveram anos bastante desafiadores, especialmente entre 2012 e 2015, com uma "crise de crédito" no país e uma onda de "eventos de crédito" que levaram a diversas marcações a mercados, reperfilamentos de dívida, algumas fraudes e alguns "defaults" ou não pagamentos.

 

Vale ressaltar que o avanço da Operação Lava-Jato ajudou este movimento, mas não foi o único vetor explicativo para o problema. A situação econômica do país à época, no auge da crise política e econômica, proporcionou um cenário de recessão e inflação elevada, que costuma ser uma combinação mortal para o setor corporativo e para a capacidade de geração de caixa das companhias e, consequentemente, de pagamento para empresas mais alavancadas.

 

Neste período, vimos a abertura dos spreads de crédito e um movimento de abertura de taxas de juros, o que costuma afetar, na média, o desempenho dos fundos de crédito duplamente: pela piora no "risco de crédito" (com os spreads abrindo) e pela piora no "risco de mercado" (com as taxas de juros abrindo).

 

Com o evento do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o mercado em níveis de preço mais atrativos e a posição técnica mais saudável, os anos de 2016, 2017 e 2018 foram marcados pelo movimento inverso. Foram anos de melhora no ambiente econômico e, consequentemente, no fechamento dos spreads e das taxas de juros, o que acabou favorecendo o desempenho desses fundos. Foi neste período que a classe voltou ao radar dos investidores e passou a atrair recursos e atenção.

 

Em 2018, em especial com a taxa Selic média abaixo de 7%, os fundos classificados como "high grade", ou de baixo risco de crédito, passaram a encontrar um desafio adicional. Aqueles com taxas de administração muito elevadas, em um pano de fundo de spreads mais fechados e juros mais baixos, começaram a apresentar dificuldades em apresentar retornos consistentes acima do CDI, apenas com o carrego de suas posições. Em 2018, ainda se favoreceram de mais uma rodada de fechamento de spreads e taxas de juros. A partir de 2019, terão um desafio adicional para apresentarem desempenho acima do CDI.

 

Olhando adiante, vemos um governo que pretende reduzir a presença do Estado na economia, reduzir a participação do BNDES e favorecer o mercado de capitais como fonte geradora de recursos para a economia. Assim, acreditamos que o mercado de crédito privado continuará ganhando espaço no mercado e no portfólio dos clientes.

 

Na atual conjuntura, é essencial ampliar a análise de fundos "high yield", ou aqueles com maior risco de crédito, capazes de gerar retornos consistentes bastante acima do CDI, apenas com risco de crédito. Esta é uma classe de fundos relativamente nova no país, mas de tamanho relevante em mercados desenvolvidos como os Estados Unidos.

 

Ainda vemos espaço para o bom desempenho de alguns fundos "high grade", mas entendemos que esta será uma classe que precisará ser analisada mais no detalhe no curto prazo, pois está perdendo atratividade, de maneira cíclica, ainda que não afete a visão estrutural, de ser importante em qualquer portfólio de longo prazo. A escolha de bons gestores será fundamental para as alocações bem-sucedidas nesta classe, em um ambiente de juros baixos e spreads mais comprimidos.

 

Em relação à classe "high yield", entendemos que os fundos ou os gestores dessa classe precisam ter um histórico longo para comprovar a capacidade de gestão e geração de "alpha" (geração de retorno) do gestor e sua equipe, sem apresentar problemas recorrentes.

 

É natural que estes fundos apresentem marcações a mercado e alguma volatilidade maior que os fundos "high grade". Eventos de crédito nesta classe serão mais recorrentes e naturais. É por isso que a escolha dos melhores gestores e um entendimento mais amplo deste mercado e de seus fundamentos são ainda mais importantes.

 

O Brasil está passando por uma transformação econômica e, consequentemente, no mundo dos investimentos. Taxas de juros mais baixas, o estímulo ao mercado de capitais e a menor presença do Estado na economia são vetores que podem determinar uma mudança estrutural para o país.

 

Conforme o Brasil avance na agenda de reformas econômicas e liberalização da economia, nós, gestores, precisamos estar preparados para novos modelos de gestão, novas oportunidades de investimentos e um pano de fundo diferente daquele que foi regra ao longo de toda a história do país.

 

Dan Kawa é sócio e CIO (chief investment officer) da TAG Investimentos

 

E-mail: dan.kawa@taginvest.com.br

 

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser  esponsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

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